Estudo caso-controle

Estudos observacionais em epidemiologia

Wanderson Oliveira, MSc, PhD

Epidemiologista · Professor · Pesquisador

wandersonepidemiologista.com

Objetivos da aula

  • Reconhecer quando o estudo caso-controle é o desenho adequado
  • Definir caso e controle, e escolher as fontes de controles
  • Calcular e interpretar a razão de chances
  • Identificar os vieses mais frequentes nesse desenho
  • Resolver um exemplo com tabela 2x2
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Roteiro da aula

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Onde o caso-controle se encaixa

  • Estudos observacionais: o pesquisador observa, sem alocar a exposição
  • Transversal: exposição e desfecho medidos no mesmo momento
  • Coorte: parte da exposição e acompanha até o desfecho
  • Caso-controle: parte do desfecho e busca a exposição no passado
  • Ecológico: a unidade de análise é o grupo (cidade, região, país)
O caso-controle inverte a direção do estudo: começa pelo desfecho e olha para trás.
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Coorte e caso-controle: a diferença de partida

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Quando usar e quais são os limites

Quando a exposição é medida após o desfecho, a pergunta precisa ser feita com o mesmo cuidado para os dois grupos.
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O primeiro passo: definir o caso

  • Critério diagnóstico explícito, escrito antes da coleta
  • Caso incidente sempre que possível, para reduzir viés de sobrevivência
  • Definição aplicada sem conhecimento da exposição
  • Casos com definição clara e reprodutível em outros serviços
Um caso mal definido contamina toda a análise que vem depois.
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Escolher controles: a pergunta central

  • Fontes possíveis: população geral, vizinhança, hospital, familiares
  • Princípio: se o controle tivesse o desfecho, entraria no estudo como caso
  • Controles de hospital podem ter exposições diferentes da população de onde vieram os casos
  • Controles devem ser recrutados com o mesmo critério de exposição usado para os casos
Escolher bem os controles pesa mais que aumentar o tamanho da amostra.
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Pareamento: controlar sem perder a pergunta

  • Pareamento por frequência: controles com as mesmas características do caso, como idade e sexo
  • Pareamento individual: um ou mais controles para cada caso
  • Útil para confundidores conhecidos, mas não substitui a análise ajustada
  • A análise deve considerar o pareamento (regressão logística condicional)
  • Pareamento excessivo pode remover a associação de interesse, se a variável pareada também for a exposição
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A tabela 2x2 é o ponto de partida

CasosControlesTotal
Expostoa = 45b = 2570
Não expostoc = 15d = 3550
Total6060120

a: casos expostos

b: controles expostos

c: casos não expostos

d: controles não expostos

Razão de chances (OR) = (a × d) / (b × c)
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Interpretar a razão de chances

  • OR maior que 1: a exposição se associa a mais chances de ser caso
  • OR igual a 1: não há associação
  • OR menor que 1: a exposição se associa a menos chances de ser caso
  • Quando o desfecho é raro na população, a OR se aproxima do risco relativo
  • Sempre apresente o intervalo de confiança de 95%, não só o valor pontual
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Confundimento e análise

  • Confundidor: associado à exposição e ao desfecho, sem estar na via causal
  • Estratificação e Mantel-Haenszel, quando há poucos estratos
  • Regressão logística para ajustar várias variáveis ao mesmo tempo
  • Com pareamento, usar regressão logística condicional
  • No método, declare as variáveis de ajuste e o critério de seleção
Ajustar não corrige viés de seleção nem viés de informação.
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Os vieses mais frequentes

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Verificação rápida

Qual medida de associação o estudo caso-controle estima diretamente?

Na tabela 2x2, com exposição nas linhas e casos e controles nas colunas, qual célula representa os controles expostos?

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Exercício: calcule a razão de chances

  • Em um estudo com 60 casos e 60 controles, 45 casos e 25 controles foram expostos ao fator estudado.
  • Monte a tabela 2x2 com a, b, c e d.
  • Calcule a razão de chances.
  • Interprete o resultado e diga o que falta para uma conclusão causal.
  • Discuta um viés possível neste estudo.
Base didática: dados/exercicio.csv (120 registros, fictícios). Resolução no próximo slide.
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Resolução do exercício

CasosControlesTotal
Expostoa = 45b = 2570
Não expostoc = 15d = 3550
Total6060120

OR = (45 × 35) / (25 × 15) = 1.575 / 375 = 4,2

IC95%: 1,9 a 9,1 (aproximação logarítmica)

Os casos têm cerca de 4 vezes mais chances de exposição que os controles.

IC sem o valor 1 indica associação estatisticamente compatível. Antes de concluir, verifique confundimento e seleção.
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Experimente: mude as células

CasosControles Exposto Não exposto
Razão de chances
IC95%

OR = (a × d) / (b × c). Valores fictícios, para exploração em sala.

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Checklist STROBE para caso-controle

  • Título e resumo que indicam o desenho do estudo
  • Objetivos e hipóteses
  • Definição de caso e de controle, com fontes e critérios de seleção
  • Descrição do pareamento, se houver
  • Medidas de exposição e forma de coleta
  • Tratamento de viés e confusão, com as variáveis de ajuste
  • Número de participantes em cada etapa do recrutamento
  • Estimativas com intervalo de confiança
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Referências

  • Schlesselman JJ. Case-control studies: design, conduct, analysis. New York: Oxford University Press; 1982.
  • Rothman KJ, Greenland S, Lash TL. Modern epidemiology. 3. ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins; 2008.
  • von Elm E, Altman DG, Egger M, Pocock SJ, Gøtzsche PC, Vandenbroucke JP. The STROBE statement: reporting observational studies. Lancet. 2007;370(9596):1453-7.
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Wanderson Kleber de Oliveira
Epidemiologista e Pesquisador no Hospital das Forças Armadas/Ministério da Defesa
Professor de Medicina no Centro Universitário Uniceplac
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